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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tecnologia e os automóveis



A inovação tecnológica acontece por meio de investimentos e pesquisas sobre algo que se queira melhorar produtos e serviços e que permite eficiência e eficácia dos processos produtivos.

Quando Henry Ford desenvolveu o automóvel, o que foi um boom para a época, ele não imaginaria a dimensão da máquina que criou tomou na atualidade.

Isso acontece em todos os setores empresariais, entre eles, está o automobilístico. Foi-se o tempo em que o carro era apenas um meio de transporte que Ford fez acontecer. O criador dessa máquina permitiu à sociedade a criação e a diversificação do mesmo objeto mas com novos valores e conceitos.

A inovação tecnológica acontece por meio de investimentos e pesquisas sobre algo que se queira melhorar produtos e serviços e que permite eficiência e eficácia dos processos produtivos.

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A tecnologia envolvida na fabricação dos automóveis vem crescendo visando qualidade, agregando valor, design e estilo. Porém todo esse movimento de constante mudança no setor ainda favorece carros importados e que para o auto nacional é algo a ser pensado, projetado e trabalhado.

Todos em qualquer lugar do mundo gostam de conforto, segurança, praticidade, sustentabilidade e também avaliam o quesito beleza além de valor financeiro que interfere diretamente no bolso do consumidor. O fato é que tudo isso é algo que pesa no bolso do brasileiro, tecnologia é algo maravilhoso que faz renovar as coisas, porém nem sempre é acessível ao bolso dos cidadãos desse país que, diga-se de passagem, está permitindo o crescimento do poder aquisitivo, mas que em sua grande maioria ainda, não pode desfrutar desses bens de consumo com tecnologia. Contudo, não pode usufruir, porque importa-se esses produtos eletrônicos do continente asiático e de acordo com o perfil do mercado nacional paga-se caro.

O desenvolvimento dessas tecnologias inovadoras em território brasileiro seria importante para o crescimento do país, haveria mais mão-de-obra capacitada para o ramo eletrônico, com isso, o país ganha em gerar novas oportunidades e a frota automotiva brasileira teria tecnologia brasileira.

Uma “pesquisa de campo”, trazer do primeiro mundo tecnologia de ponta para carros nacionais tende a crescer no mercado o valor ao quesito segurança, estilo, se é sustentável ou não e gostos distintos. O importante é projetar caminhos para que não se importe mais tecnologia da Europa ou dos Estados Unidos, mas que ela seja fabricada aqui, de alta qualidade e embutida em veículos que o consumidor, o brasileiro possa adquirir.

Em um futuro, não muito distante, os carros terão 100% de vida própria (como o carro sem motorista do Google), como isso ocorrerá? Por meio de desenvolvimento de projetos que melhorem os processos do mercado, ou seja, a inovação tecnológica está presente e sempre participará das grandes mudanças.

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É interessante pensar que se o país passar a valorizar e a investir nele próprio, a cultura brasileira passará a ter mais valor frente às potências mundiais. Um país que cresce cada dia mais e que possui os olhos do mundo voltados a si, tem a grande responsabilidade de desenvolver competências únicas e que façam a diferença nas atitudes tomadas.

Portanto, o investimento no Brasil, em TI, em componentes eletrônicos como os sistemas de controle integrados por powertrain e ABS, sensores de segurança e dispositivos de entretenimento para os veículos nacionais sejam pesados, para que brevemente, o quadro de importação se inverta, e o Brasil passe a exportar tecnologia, qualidade e claro, bom gosto.

Fonte: Mundo Conectado.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tecnologias para a sociedade

Pesquisas desenvolvidas na Universidade abrangem amplos setores e geram produtos para a sociedade

Formar alunos que venham a atuar com destaque em diversas áreas da sociedade faz parte da missão da Universidade. Todavia, além dos milhares de graduados procedentes da Unicamp a cada ano, outro resultado tangível da influência do trabalho na academia é a utilização de tecnologias originadas da pesquisa universitária em benefício da sociedade.

Entre os casos de grande êxito da Unicamp está uma tecnologia conhecida como Low Trans, utilizada hoje pela Cargill na substituição da gordura trans em biscoitos e outros produtos. A Low Trans é resultado da pesquisa da professora Lireny Aparecida Guaraldo Gonçalves e do pesquisador Renato Grimaldi, ambos da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Desenvolvida em parceria com a empresa, por meio de um projeto colaborativo realizado na Universidade, a tecnologia foi licenciada com exclusividade e representa uma resposta rápida para uma demanda: a substituição da gordura trans sem perda de qualidade do produto ou alteração integral do processo de produção.

“Nosso desafio foi deixar os alimentos livres de gorduras trans e de saturados e, ao mesmo tempo, manter toda a infraestrutura da empresa”, explica Lireny. De acordo com a docente, a equipe utilizou matérias-primas adequadas e alterou a cristalização dos biscoitos. “A indústria não fez um investimento alto para modificar a linha e conseguimos implementar a Low Trans de maneira ideal, sem muitas alterações”, afirma a professora.

Se, para a empresa, a aplicação trouxe resultados imediatos, com poucas adaptações na produção – a Cargill já internacionalizou a tecnologia para o Chile e Argentina –, para o consumidor final, os benefícios são claros: um produto mais saudável, que não possui gordura trans ou saturados, elementos prejudiciais à saúde. “Para nós, é uma satisfação trabalhar com a nutrição humana e representar a saúde do dia a dia”, expressa Lireny.

Outra tecnologia de impacto importante, neste caso ambiental, é a desenvolvida pelo professor Oswaldo Luiz Alves, do Instituto de Química (IQ). A tecnologia é voltada para a remediação de fluidos de indústrias papeleiras e têxteis. De acordo com Alves, normalmente, essas indústrias utilizam grande quantidade de corantes e há a necessidade de eliminar a coloração desses efluentes antes de lançá-los ao rio. “A tecnologia desenvolvida permite essa descoloração e não causa alterações significativas nas propriedades de sorção”, afirma.

Resposta para um problema ambiental, a pesquisa é, de acordo com o professor, fruto da parceria de trabalho com o aluno Odair Pastor Ferreira, hoje coordenador de pesquisa na Contech, empresa que licenciou a tecnologia e a comercializa desde o começo do ano. Para o professor, a Agência de Inovação Inova Unicamp teve papel fundamental no processo que levou a tecnologia da Universidade para o mercado: “Trata-se de um percurso clássico: tese, patente, licenciamento e absorção pelo mercado. A Inova foi muito importante em todo o processo de depósito da patente e negociação com a empresa. Além disso, a regulamentação que temos dentro da Universidade permite que tenhamos um envolvimento profícuo com o setor produtivo”, acrescenta.

A utilização de outra tecnologia desenvolvida na Unicamp – e disponível no mercado – pode ser de grande valor na saúde neonatal. O Kit Surdez, comercializado para a empresa DLE (Diagnósticos Laboratoriais Especializados Ltda), é resultado do trabalho da professora Edi Lúcia Sartorato, do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG). A docente recebeu o Prêmio Governador do Estado no ano de 2001 em razão desta pesquisa.

Segundo a professora Edi, o diferencial de sua tecnologia frente ao teste do pezinho convencional é que, enquanto o exame convencional abrange apenas quatro doenças – fenilcetonúria, hipotiroidismo congênito, fibrosa cística e anemia falciforme –, o kit detecta uma mutação que, em dose dupla, é a principal causa da surdez genética. De acordo com o coordenador do departamento de relacionamento e marketing da DLE, Paulo Abrantes, esse procedimento pode ser extremamente benéfico para o recém-nascido. “O diagnóstico da surdez antes dos três meses de idade possibilita o tratamento especializado, minimizando as consequências sobre a comunicação verbal e o aprendizado da criança”.

A professora Edi explica que, em razão da importância deste teste, existe um projeto de lei para torná-lo obrigatório nas maternidades. “Mas está ainda distante da realidade”, pondera. Para Abrantes, o trabalho conjunto entre comunidade acadêmica e mercado é de grande relevância para o desenvolvimento detecnologias que permitam a utilização pela sociedade, propiciando melhor qualidade de vida e bem-estar. “A surdez é o deficit sensorial mais comum nos seres humanos. Por isso, devemos continuar no trabalho de divulgação e conscientização da importância do teste de surdez genética”, afirma Abrantes.

Ainda na área da saúde, outra tecnologia da Unicamp absorvida pelo mercado foi desenvolvida pelo professor Benedicto de Campos Vidal, do Instituto de Biologia (IB). Licenciada para a empresa Silvestre Labs Química e Farmacêutica Ltda, que a comercializa na área odontológica, a tecnologia apresenta soluções de continuidade, como falta de material ósseo, decorrente de uma patologia ou de uma intervenção cirúrgica, e pode ser utilizada com aplicações na odontologia e medicina, diminuindo o tempo cirúrgico e facilitando os procedimentos operatórios.

De acordo com o diretor presidente da empresa, Eduardo Cruz, o produto para enxertia óssea foi lançadono mercado após a realização das etapas de ordem técnica/regulatória e a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A empresa utilizou a tecnologia como base para desencadear diversas etapas que culminaram com a produção de um enxerto ósseo, vendido hoje aos dentistas”, afirmou. Eduardo ressalta a importância da parceria entre comunidade acadêmica e empresa: “Agências de inovação como a Inova possuem papel fundamental, pois servem de ponte para que a comunicação e o relacionamento entre ambas as partes tenham qualidade e eficiência”.


Inventores são premiados
Com o intuito de homenagear docentes e pesquisadores da Unicamp com tecnologias transferidas para a sociedade por meio de licenciamentos para empresas e outras instituições, a Reitoria da Universidade e a Agência de Inovação Inova Unicamp realizaram a quarta edição do Prêmio Inventores Unicamp no último dia 30 de setembro, no auditório do Conselho Universitário (Consu). Ao todo, doze professores e uma unidade – o IB – foram premiados em três categorias: Tecnologia Absorvida pelo Mercado, Tecnologia Licenciada, e Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual, destinada ao instituto com o maior número de pedidos de patentes realizados no ano.

Cinco pesquisadores – Renato Grimaldi e os professores Lireny Aparecida Guaraldo Gonçalves, Oswaldo Alves, Edi Sartorato e Benedicto de Campos Vidal – inventores das quatro tecnologias já comercializadas, receberam o prêmio de maior destaque na premiação – de Tecnologia Absorvida pelo Mercado. Estes professores merecem mérito especial, pois, de acordo com o professor Roberto Lotufo, diretor-executivo da Inova, a procura de parceiros para o desenvolvimento complementar das patentes da Universidade e a celebração do contrato de licença de exploração são apenas o início do processo para que a tecnologia se transforme em inovação. “A tecnologia se torna um caso de sucesso quando o produto é absorvido pelo mercado e chega à população e ao cidadão”, afirma.

Outros seis professores – Adilma Regina Pippa Scamparini, Daniel Barrera Arellano e Fernando Antonio Campos Gomide, da FEA; Alexandre Xavier Falcão, do IC; Leonardo de Souza Mendes, do FEEC; e Marcelo Ganzarolli de Oliveira, do IQ, além de Vidal, Lireny e Grimaldi, foram homenageados na categoria Tecnologia Licenciada, pelo licenciamento do resultado de suas pesquisas no ano de 2010.

De acordo com a diretora de propriedade intelectual e transferência de tecnologias da Inova Unicamp, Patricia Magalhães de Toledo, os resultados das pesquisas acadêmicas podem ter um impacto positivo e abrangente na sociedade: “Diversos produtos que beneficiam milhares de pessoas são resultados de tecnologias originadas na pesquisa acadêmica, que foram licenciadas para empresas e lançadas no mercado”, afirmou a diretora.

Já o reitor da Unicamp, professor Fernando Costa, finalizou a cerimônia comentando sobre o próximo desafio da Unicamp relacionado ao trabalho de pesquisa e inovação: “O que produz grandes inovações é a realização de um trabalho conjunto, geograficamente próximo, entre pesquisadores de diversas áreas. Uma universidade como a Unicamp possui potencial para contribuir com o progresso da sociedade, especialmente quando se trabalha em áreas conjuntas”, completou.

O Prêmio Inventores Unicamp é realizado anualmente e a Agência disponibilizou um blog com a memória do evento em: www.inova.unicamp.br/premioinventores.

Fonte: Jornal da Unicamp.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Crônica: Os 4 Is da Inovação!

* Sérgio Mascarenhas

O mecanismo do processo inovativo tem uma estrutura que está ligada à dinâmica do funcionamento da própria Inovação. É o que procuraremos discutir nesta crônica. Em primeiro lugar, chamamos atenção para a conceituação que todos os sistemas, por mais complexos que sejam, terão sempre duas grandes sub-estruturas: Sua Anatomia e sua Fisiologia. Usando o conceito de que todos os processos podem sempre ser bio-modelados, essa divisão é obvia. Chegados a essa rota conceitual é obrigatória a introdução da Evolução como um processo vinculado necessariamente ao modelo epistemológico a ser introduzido para discussão da Inovação até aqui.

O cenário nos parece bem construído, mas surgem de imediato as questões mais duras e difíceis: como fazer essa análise tanto da Anatomia como da Fisiologia da Inovação? Minha proposta: a própria Anatomia requer e induz uma Fisiologia! Parece uma resposta tautológica? Mostrarei que não, de uma maneira muito simples: usando uma metáfora linguística. A estrutura compõe-se de quatro letras iguais conotando ao mesmo tempo a Anatomia e a Fisiologia. Tomo quatro letras I maiúsculas indicativas dos seguintes processos: I de Invenção; I de Imitação; I de Interdisciplinaridade e I de Imperfeição.

Essa estrutura (Anatômia) contem interações que são a própria (Fisiologia) subjacente ao processo global da Inovação! E contém forçosamente também a natureza evolutiva da Inovação. Invenção é o primeiro salto para o Universo Inovativo. Pensem num feto humano, por exemplo. Constituído o embrião, ele se reinventa continuamente apesar de altamente vinculado pela sua genômica, mas esta, também através de interações com o ambiente externo, recebe continuamente estresses evolutivos e cria-se um sinergismo evolutivo.

Imitação é fundamental como uma fonte de conhecimentos e informações muito econômicas, sob o ponto de vista de gasto energético, isso é, da termodinâmica do processo de aprendizagem e aquisição de conhecimentos que o alimentam. Todos nós sabemos da sociologia a tremenda importância da Imitação no processo evolutivo. Mas as várias fontes disponíveis de informação e conhecimentos exigem que a diversidade dessas mesmas fontes ocasionem vantagens comparativas entre os processos evolutivos: quanto mais ricas as disciplinas, áreas, fontes de conhecimento, sua Interdisciplinaridade, maior será tanto a taxa como a quantidade e mesmo a qualidade da Inovação!

Chegamos agora ao que considero o componente mais importante dos Is: o que está ligado à Imperfeição. É esse fundamental elemento que introduz a Complexidade nos sistemas inovativos! Suas bifurcações conduzem a processos de enorme não-linearidade através das incertezas inerentes à sua própria natureza intrínseca e isso leva à Complexidade conceito fundamental que afeta tanto a Anatomia como a Fisiologia obrigando-as a varrer o espaço das fases das suas configurações em um riquíssimo processo espaço-temporal.

As inovações funcionam como atratores-caóticos das quais o próprio sistema pode gerar novas inovações! A perfeição é estagnante, mas a Imperfeição gera novas trajetórias continuamente. O mundo das incertezas é o mais rico e inovativo dos disponíveis para qualquer sistema, seja um grupo social, uma estrutura econômico-financeira ou qualquer outro sistema material. Faço então uma paráfrase à Descartes: Erro logo Existo!

* Sérgio Mascarenhas é professor e coordenador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Jornal da Ciência.



 
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