Mudanças climáticas, desastres naturais
e prevenção de riscos

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um acordo que ajuda a política global para mudança climática

Acordo entre países da Ásia Pacífico mostra que grupos menores, com liderança, facilitam consensos, principalmente sobre políticas de imediata implementação, com benefício geral. Bom sinal para políticas voltadas para mudança climática e promoção da economia de baixo carbono.

Na reunião que terminou no final da semana passada em Honolulu, os 21 países da APEC (Associação para Cooperação Econômica dos Países da Ásia-Pacífico) aprovaram a redução de tarifas de importação para promover o comércio regional de produtos que reduzam o consumo de combustíveis fósseis e reduzam a poluição.

A reunião começou marcada por um confronto entre EUA e China, marcado por palavras duras nos discursos de abertura do presidente Barack Obama, o anfitrião em sua terra natal, e do presidente da China, Hu Jintao. Eles foram muito explícitos em relação às divergências comerciais entre os dois países. Obama chegou, mesmo a mostrar certa irritação ao falar com a imprensa sobre as reiteradas reclamações relativas a subsídios ilegais e práticas de dumping (preços artificialmente baixos) pela China, usando a expressão “enough is enough”, que poderia ser traduzida por “passou dos limites”. Ele afirmou que seu governo “continuará a ser firme na posição de que a China deve operar pelas mesmas regras que todos seguem”.

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No seu discurso de abertura, Hu Jintao insistiu que a China precisa ter mais voz como uma potência global emergente. Também deixou claro que Pequim prefere trabalhar dentro da arquitetura de comércio global existente, do que se sujeitar às pressões do EUA para abertura dos mercados da Ásia-Pacífico a qualquer custo. Autoridades chinesas também alertaram, durante a reunião, que a decisão recente de Washington de iniciar investigação que poderia levar à imposição de tarifas anti-dumping para células e placas fotovoltaicas chinesas prejudicaria a cooperação no campo da energia dentro da APEC.

Mas, ao final do encontro, os dois países encontraram pontos de consenso e concordaram em reduzir as tarifas de importação para “bens ambientais” (principalmente produtos para geração de energia) para no máximo 5% até 2015. Os países da APEC também se comprometeram a eliminar requisitos de “conteúdo nacional” que distorcem o comércio de bens e serviços ambientais até o final de 2012.

Adicionalmente, o acordo, formalizado na Declaração de Honolulu incluiu:

a racionalização e progressiva eliminação de subsídios ineficientes a combustíveis fósseis, que encorajam consumo perdulário, e a criação de um mecanismo para reportar o progresso obtido, com revisão anual pelo grupo;

a promoção da eficiência energética, adotando medidas específicas nos setores de transportes, construção, redes elétricas, empregos, compartilhamento de conhecimento e educação, em apoio a comunidades de baixo carbono com “inteligência energética”;

incorporar estratégias de desenvolvimento de baixo carbono nos planos de crescimento econômico e dar poder à APEC para implementar essa agenda;

adotar a meta de redução da intensidade de energia da região em 45% até 2035;

trabalhar em cooperação para implementar medidas que proíbam o comércio de produtos florestais ilegais e adotar medidas adicionais na APEC para combater o desmatamento ilegal e o comércio associado a ele.

O presidente Hu Jintao assinou o acordo, apesar de no início da reunião ministros chineses terem criticado a proposta de redução tarifária como “ambiciosa demais para países em desenvolvimento”.

Os “bens ambientais” a serem beneficiados pelos cortes tarifários não foram designados no acordo. Ficou para o ano que vem. Representantes do governo do EUA disseram que listaram “painéis solares, turbinas eólicas e hidráulicas, filtros para poluição do ar e bombas para tratamento de esgotos” entre os que gostariam de ver incluídos no acordo.

Cortes de tarifas e subsídios e medidas de comando e controle para evitar práticas ilegais são mais fáceis de implementar e fazer cumprir, inclusive porque entram em vigor tão logo as medidas sejam promulgadas. Metas de redução de intensidade de energia são mais elusivas, de implementação mais demorada e menos apreensíveis por todos os interessados. Autoridades chinesas se apressaram a explicar que a meta era uma aspiração e que os compromissos da APEC são “voluntários e “não-vinculantes”, isto é, não têm força legal. Mas reduções tarifárias, cortes de subsídios e proibição de comércio de madeira e produtos florestais ilegais requerem atos com força legal.

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“Nós podemos e devemos enfrentar tanto os desafios econômicos da região como os ambientais, acelerando a transição para a economia global de baixo carbono, de forma que aumente a segurança energética e crie novas fontes de crescimento e emprego.” (Declaração de Honolulu: Rumo a uma Economia Regional sem Barreiras).

O acordo da APEC pode ser um passo significativo para adoção mais ampla e rápida de energia limpa pelas economias desenvolvidas e emergentes. Pode ser também uma lição para o resto do mundo, sobre como abordar construtivamente temas conflituosos. Se o acordo se tornar efetivo em 2012, ele poderá ser usado como referência em negociações climáticas em outros fóruns.

Negociações em torno de questões difíceis tem melhor chance de sucesso quando o número de negociadores é relativamente pequeno. Compare-se os 21 membros da APEC, que formam um conjunto bastante heterogêneo que vai do EUA a Brunei, com os 193 membros da Convenção do Clima. Para fazer diferença em relação ao status quo as partes do acordo tem que ter representatividade e peso. A APEC é a maior zona comercial do mundo, um conglomerado econômico muito poderoso. Responde por mais da metade do PIB global, 44% do comércio mundial e 63% das emissões de gases estufa. Estão no grupo, além do EUA e China, Japão, Coreia, Hong Kong, Cingapura, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, México e Chile. Têm países com importantes extensões de floresta tropical como Indonésia, Tailândia, Malásia, Papua Nova Guiné e Peru.

Dos grandes atores da política global para mudança climática só não estão os países da União Europeia, o Brasil e a Índia. Uma contribuição relevante que a APEC poderia fazer seria levar essa agenda de acordo para ser adotada pelos países do G20-Fórum das Maiores Economias (MEF). Corresponderia a, praticamente, incluir a UE, o Brasil e a Índia. Um acordo desses no âmbito do G20 poderia dar grande impulso às negociações do clima, talvez permitindo imaginar como possível um acordo pós-Quioto em 2015.

Fonte:
Envolverde.

Pesquisa mostra evolução química das galáxias

Assim como o vento sopra a poeira na Terra, os ventos estelares sopram matéria para fora das estrelas ao longo da vida desses astros. O vento estelar interessa aos astrônomos porque é um fenômeno preliminar do que vai ocorrer no fim da vida da estrela.

Descobrir a composição química desses ventos e qual a influência dessa composição no processo de perda de material estelar é o projeto de doutorado de Graziela Keller, que conta com Bolsa da FAPESP.

O estudo é um dos que integram o Projeto Temático “Nebulosas fotoionizadas, estrelas e evolução química de galáxias”, coordenado por Walter Maciel, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, e financiado pela FAPESP.

Maciel está à frente de um grupo que estuda a evolução química das galáxias, ou seja, como os elementos químicos mudam com o tempo e com a posição dentro das galáxias. No Projeto Temático, o foco são as estrelas centrais de nebulosas planetárias.

“As mudanças vão depender da evolução com o tempo. Então, precisamos saber qual é a idade delas. Estamos calculando as variações da composição química, mas precisamos saber a que época da vida da galáxia elas se aplicam”, disse Maciel.

“A composição química atual da Via Láctea é diferente de 5 bilhões ou de 10 bilhões de anos atrás. Precisamos estudar objetos que tenham idades correspondentes a cada uma das fases da vida da galáxia e, para isso, é preciso calcular as idades de cada objeto em estudo”, explicou.

As estrelas centrais de nebulosas planetárias estudadas pelo grupo do IAG são fases muito evoluídas da vida de estrelas como o Sol. “Elas já perderam todo o ‘envelope’, isto é, a nebulosa planetária que estava ao redor delas. O que mostram agora em sua superfície é a composição química que antes ficava dentro da estrela, algo que não conseguimos enxergar”, disse Keller.

Ao observar essas estrelas, os pesquisadores obtêm informações que ajudam a testar e aperfeiçoar modelos de evolução e de estrutura de estrelas já descritos pela ciência.

A perda de material por meio dos ventos estelares se relaciona com a luminosidade das estrelas e, basicamente, é a decomposição da luz, por meio de espectroscopia, que conta do que uma estrela é feita. Com isso, cientistas calculam a metalicidade, ou seja, quais os elementos químicos a formam e em que quantidade. Esses dados podem ser usados para estimar a idade das estrelas.

Uma hipótese científica para explicar os ventos é a pressão de radiação: a luz gera uma pressão, empurrando o material das camadas mais externas da estrela. “Dependendo do elemento químico que estiver naquele material, a luz vai empurrar menos ou mais vento. Se soubermos quais são os elementos químicos presentes, podemos dizer se um modelo é capaz de gerar ou não a perda de massa que a gente observa”, disse Keller.

Para estudar os ventos, ela utilizou códigos de atmosferas estelares desenvolvidos por outros cientistas durante vários anos de estudo. Passou um ano na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, para aprender a usar um programa computacional chamado CMFGEN, que a ajudou a fazer cálculos e determinar as características físicas de estrelas centrais de nebulosas planetárias.

“Esses códigos simulam o que estamos observando. Damos todas as características da estrela e o código nos devolve o espectro da estrela, ou seja, a divisão da luz nas diversas cores”, explicou Keller.

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Comparando os espectros devolvidos pelos códigos com o espectro observado, é possível determinar a massa da estrela, sua gravidade superficial, temperatura, luminosidade, taxa de perda de massa, a velocidade do vento e a composição química. “Se pudermos saber quais são os elementos químicos presentes na superfície dessas estrelas, poderemos determinar quais mecanismos de perda de massa são capazes de acelerar o que a gente observa”, disse.

Ainda dentro de seu doutorado, Keller estudou as instabilidades causadas pelo mecanismo de aceleração do vento. A força que empurra o vento é proporcional à aceleração desse vento. Quanto mais rápido o vento, maior a força que o empurra e vice-versa.

Esse processo aumenta a velocidade até criar choques no vento, o que provoca as chamadas inomogeneidades – característica de um corpo que não tem as mesmas propriedades em todos os pontos. No caso do vento, a movimentação gera regiões mais rarefeitas intercaladas com regiões mais densas. Essas inomogeneidades impactam no que se observa da estrela.

Para estudar esse aspecto dos ventos estelares, Keller utilizou outro tipo de código computacional, o H-DUST, desenvolvido pelo pesquisador Alex Carciofi, também do IAG-USP. Ele serve para simular o que ocorre com a luz da estrela quando ela passa pela atmosfera da estrela, mas é tridimensional.

Esses dados poderão ser comparados com os gerados pelo código CMFGEN usado por ela nos Estados Unidos, mostrando se o que ela adotou como inomogeneidade dos ventos na primeira parte de seu doutorado está próximo da previsão mostrada pelo sistema tridimensional do código de Carciofi.

Idade das estrelas
O Projeto Temático coordenado por Maciel desenvolveu também dois novos modelos para calcular a idade de estrelas localizadas no centro de nebulosas. A equipe já havia desenvolvido três métodos, cujos resultados foram publicados no início de 2010 na revista Astronomy and Astrophysics.

Inicialmente, eles analisaram uma amostra de 230 nebulosas entre as cerca de 2 mil nebulosas planetárias existentes na Via Láctea. Agora, no estudo “Kinematic Ages of The Central Stars of Planetary Nebulae”, publicado na edição impressa de outubro da Revista Mexicana de Astronomía y Astrofísica, o grupo apresenta os resultados da aplicação dos métodos cinemáticos que desenvolveram para calcular a idade das estrelas.

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“Pelo método cinemático, podemos calcular as idades com base em seus movimentos. As estrelas jovens em nossa galáxia giram em torno do centro da galáxia, mas não se movem muito na direção perpendicular. Com as estrelas mais velhas é o contrário: a velocidade maior se dá na direção perpendicular e menor na direção da rotação. Além disso, as velocidades das estrelas variam com o tempo de uma maneira conhecida”, explicou Maciel.

Os pesquisadores calcularam as idades para duas amostras, uma com 230 estrelas, montada pela própria equipe do IAG-USP, e outra de 900 estrelas de um catálogo internacional. Além de desenvolver os novos métodos, o objetivo dessa fase do estudo foi ampliar a amostra em relação ao trabalho já feito para comprovar a robustez do método desenvolvido pelos pesquisadores.

Assim como no primeiro estudo publicado em 2010, nesse segundo, usando amostras e métodos diferentes, os cientistas chegaram à conclusão de que a maior parte das estrelas centrais das nebulosas planetárias estudadas têm idades abaixo de 3 bilhões de anos. O Sol tem cerca de 4,5 bilhões de anos.

Fonte: Agência Fapesp.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Estudo explica como cordilheira 'misteriosa' se formou

Por mais de meio século, geólogos têm discutido sobre as origens de uma extraordinária cadeia montanhosa, encontrada sob o gelo do leste da Antártida e com quase 3 km de altitude. As montanhas de Gamburtsev, cujo nome homenageia o geofísico soviético que as descobriu em 1958, durante exploração no primeiro Ano Polar Internacional, têm 1,2 mil km de extensão e picos que alcançam os 2,7 mil m, entremeados por vales e depressões profundos.

A formação desta cordilheira é um dos muitos mistérios do grande continente branco. A cordilheira Gamburtsev se formou em um continente geologicamente antigo e há muito tempo livre de movimentações tectônicas que costumam dar origem às montanhas.

No entanto, seus picos pronunciados, semelhantes aos Alpes europeus, atestam claramente para sua formação recente, raramente tocada pelas forças erosivas do vento, da neve e da água. Em artigo publicado na edição desta quarta-feira da revista científica Nature, uma equipe internacional de cientistas afirma ter encontrado a chave para o enigma.

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Eles acreditam que a resposta esteja em uma rede de lagos e falhas no leito rochoso, espelhando de forma notável características encontradas nos trópicos africanos, a meio mundo de distância. "O sistema de falhas da Antártida oriental lembra uma das maravilhas do mundo, o sistema de falhas da África oriental", afirmou o chefe das pesquisas, Fausto Ferraccioli, do British Antarctic Survey (BAS).

"Ele fornece a peça que falta do quebra-cabeça que ajuda a explicar as Montanhas Subglaciais Gamburtsev. Descobriu-se que o sistema de falhas também contém os maiores lagos subglaciais da Antártida", acrescentou. O sistema de falhas foi encontrado graças a uma segunda exploração da cordilheira Gamburtsev, feita no último Ano Polar Internacional, que foi celebrado entre 2007 e 2009 para cobrir as estações nos dois pólos.

O projeto, que envolveu sete países, mapeou a topografia subglacial da Antártida centro-oriental, usando duas aeronaves Twin Otter, equipadas com radar de penetração e sensores para mapear alterações nos campos gravitacional e magnético da Terra. O que se propõe é uma narrativa de algo que ocorreu bilhões de anos atrás.

Sete minicontinentes colidiram para formar o supercontinente chamado Gondwana, criando uma cordilheira no ponto de impacto. Ao final do processo, a rocha que se ergueu neste impacto ruiu, sucumbindo ao próprio peso, e erodiu com o passar do tempo, deixando uma "raiz" subjacente na crosta.

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Seguiram-se dois períodos próximos de ruptura, em 250-100 milhões de anos atrás. Por força dos movimentos tectônicos, Gondwana se partiu novamente e criou-se uma fratura de 3 km na crosta do planeta, que se estende da Antártida oriental até a Índia sob o oceano. Combinada com as falhas, a "raiz" residual ajudou a erguer a terra onde agora está a Antártida oriental.

Ao fazê-lo, desenvolveu-se um extenso sistema de falhas e vales, cujos flancos passaram a ser cortados por rios, e então por geleiras, à medida que a Terra foi resfriando. Cerca de 34 milhões de anos atrás, as magníficas montanhas foram ocultas pelo manto de gelo da Antártida oriental, uma área do tamanho do Canadá. Como a Bela Adormecida, esta formação preservou sua misteriosa juventude.

"Estamos habituados a pensar que a formação das montanhas se relaciona a um único evento tectônico, ao invés de uma sequência de eventos", explicou Carol Finn, do Instituto Geológico americano (USGS, na sigla em inglês). "A lição que aprendemos sobre os eventos múltiplos que formaram as Gamburtsev pode influenciar a história de outras cadeias montanhosas", concluiu.

Fonte: Terra.

Brasil se junta a parceria que usa satélites contra desastres naturais

Imagens feitas do espaço orientam ações em casos de emergência.
Antes de ser oficial, parceria ajudou resgate nas chuvas de janeiro, no RJ.


O Brasil oficializou sua entrada em uma parceria internacional que compartilha dados de satélite de todo o mundo com o objetivo de combater desastres naturais: o Charter Internacional “Space and Major Disasters”.

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O acordo entre Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e as agências espaciais da Europa e da França foi assinado na última terça (8), durante uma cúpula sobre satélites de observação na cidade de Lucca, na Itália.

"Ao aderir ao Charter, o Inpe está mais preparado a ajudar a sociedade brasileira e internacional em caso de grandes catástrofes", acredita o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.

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Na prática, foi apenas uma formalização, pois o Brasil já estava ligado ao projeto. Em janeiro, quando enchentes e deslizamentos arrasaram a região serrana do Rio de Janeiro, o Inpe usou imagens do consórcio para ajudar a Defesa Civil a coordenar as ações.

Como membro oficial, o Brasil terá acesso mais fácil e rápido a esse material. Em contrapartida, deve também oferecer dados para o charter internacional, que conta agora com 13 países integrantes.



Fonte: G1.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Alcoolismo aumenta o risco de morte por câncer, diz estudo

Morte por outras doenças ou por violência também crescem com vício.
Na adolescência, a bebida aumenta o risco de câncer de mama.


Uma pesquisa italiana mostra que o alcoolismo aumenta o número de mortes associadas a várias doenças diferentes, inclusive o câncer. O estudo será publicado pela revista médica “Alcoholism: Clinical & Experimental Research”.

A equipe do Instituto para o Estudo e a Prevenção do Câncer, em Florença, usou dados de alcoólicos que se trataram no centro de álcool da cidade entre abril de 1985 e setembro de 2001. Ao todo, 2.272 pessoas estavam nesse banco de dados, sendo 1.467 homens e 805 mulheres, a maioria de meia idade.

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“Nosso estudo trouxe fortes evidências de que o vício do álcool aumenta significativamente o risco de morte por várias causas, em comparação com a população geral de um país mediterrâneo”, informa Domenico Palli, autor da pesquisa.

“Os alcoólicos parecem ter um risco maior de morte por doenças específicas, como infecções, diabetes, doenças dos sistemas imunológico, nervoso, cardiovascular e digestivo, assim como por causas violentas”, enumera o pesquisador.

“O papel do álcool como um cancerígeno ‘dietário’ também ficou bem claro. Os maiores riscos foram encontrados nos cânceres de faringe, boca, fígado e laringe, mas o risco de outros cânceres – esôfago, reto, pâncreas e câncer de mama – também aumentou”, conclui.

As mulheres viveram mais tempo do que os homens analisados no estudo. Isso pode ser pelo fato de que elas se preocupam mais com a saúde e, na maior parte das vezes, começam o tratamento contra o alcoolismo antes dos homens.

Álcool e câncer de mama
A relação entre álcool e câncer, com foco nas mulheres, também foi abordada em outra pesquisa recente, publicada online pela revista “Cancer”.

Catherine Berkey, da Faculdade de Medicina Harvard, em Boston, nos EUA, estudou o comportamento de meninas com histórico de câncer de mama na família em busca de fatores de risco, além da hereditariedade.

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Comparando apenas as adolescentes cujas mães, avós ou tias tiveram o tumor, a pesquisadora concluiu que, quanto mais álcool a jovem consome, maior é o risco que ela tem de apresentar o tumor, seja ele benigno ou maligno. Estudos anteriores mostram também que, nos adultos, a bebida está entre os fatores de risco para o surgimento desse tipo de câncer.

“Nosso estudo sugere que as meninas adolescentes que já têm maior risco de câncer de mama pelo histórico familiar devem ter consciência de que evitar o álcool pode reduzir o risco de tumores benignos na juventude, o que deve significar um risco reduzido de câncer de mama durante a vida”, explica a autora da pesquisa.

Fonte:
G1.

Tatus invadem climas frios

Atitude surpreende cientistas que acreditavam que eles não se adaptariam a temperaturas mais baixas

Uma invasão blindada está em andamento em todo o centro-oeste dos Estados Unidos: tatus estão se mudando para novos territórios, uma vez considerados impróprios para criaturas de clima quente.

Há 20 espécies conhecidas de tatu, mas apenas uma – o tatu-galinha – se aventurou para fora da América Latina. A espécie chegou ao Texas, nos Estados Unidos, nos anos 1880 e vem se espalhando para novos habitats desde então.

Nos últimos anos, ele se estabeleceu do extremo leste (Carolina do Norte) ao extremo oeste (Ilinois), e algumas vezes é visto nos estados de Indiana e Iowa (no centro dos Estados Unidos).

Se a tendência continuar, alguns especialistas prevêem que o tatu será visto logo em locais tão ao norte como Washington D.C. ou até mesmo em Nova Jersey.

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Alguns cientistas sugerem que o aumento da temperatura causado por mudanças climáticas está permitindo que os tatus se mudem para novos habitats.Mas a especialista Colleen McDonough, bióloga da Universidade Estaudal de Valdosta, no estado da Geórgia, duvida que seja esse o motivo.

Para começar, os tatus tem se mudado consistentemente para o norte e para o leste do Rio Grande desde a última parte do século 19, explicou ela.

“Há diferentes hipóteses diferentes sobre o motivo – uma delas é que a expansão foi facilitada pelas práticas de uso da terra e pela remoção de grandes mamíferos predadores”. E completou: “'Como esse movimento tem sido consistente ao longo dos anos, acho que é uma continuação [de uma tendência de longo prazo] e não resultado direto das mudanças climáticas recentes”.

Tatus adaptáveis
Em vez das mudanças climáticas, McDonough suspeita que a capacidade de adaptação e a reprodução rápida estão alimentando a expansão dos tatus galinha. Animais onívoros podem fazer suas casas nas florestas, pastagens e até mesmo no subúrbio. Além disso, as fêmeas férteis podem começar a dar cria com apenas um ano e ter ninhadas de até quatro em cada ano. Obviamente tatus não são invencíveis, e o clima frio, no final, restringe sua expansão.

Os tatus galinha tem coberturas esparsas de pelos nas barrigas e suas carapaças os protegem dos predadores, mas não dos elementos naturais, afirmou McDonough, que também faz parte do grupo de especialistas em bichos-preguiça e tatus da União Internacional para Conservação da Natureza (na sigla em inglês IUCN).

Além do mais, os tatus não hibernam, ou seja, precisam procurar alimento no inverno. Contudo, “eles conseguem sobreviver por um período no frio ficando em suas tocas e abandonando o forrageamento [o ato de vasculhar o solo em busca de alimentos como formigas, largatas, cupins, entre outros] por um curto período”, explicou ela. E completou: “Tenho ouvido também de animais forrageando sobre uma cobertura de folhas embaixo de uma fina camada de neve no norte o Texas. Pode ser que isto aconteça também mais ao norte, mas em longos períodos de tempo gelado os tatus não ficariam bem”

Tatus podem causar impacto em novos habitats
Como a maioria dos intrusos, os tatus provavelmente irão causar algum impacto em seus novos habitats e esses efeitos não são sempre fáceis de prever.

Conhecidos por desenterrar larvas de insetos para alimentação, é possível que eles compitam por tais refeições com animais que vivem na região, como os gambás. Tatus também são conhecidos por atacar ninhos de diversas espécies e consequentemente podem prejudicar as populações de aves que fazem ninhos no chão, como a codorna.

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Qualquer um, no entanto, que busque manter o número de tatus baixo não terá uma tarefa fácil. “Não é fácil prendê-los e os predadores naturais são raros neste novo habitat, acrescentou McDonough.

Um fator positivo para os humanos, porém, é que o apetite dos tatus poderia manter algumas pragas de insetos, como formigas de fogo, controladas.

Então o quão longe o tatu irá? McDonough não está certa. “Ao longo das décadas, os cientistas criaram limites (para o alcance dos tatus), baseados na temperatura [e esses animais surpreenderam a maioria dos especialistas ultrapassando este limite”, McDonough acrescentou. E completou: “Odeio fazer previsões, por que eles continuam me surpreendendo”.

Fonte: iG.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Carne vermelha magra não aumenta o colesterol, aponta estudo

Retirar a capa de gordura da carne já reduz os riscos para o coração.
Carne brasileira é menos gordurosa e merece estudos locais.


Uma pesquisa recente aponta que a carne vermelha, por si só, não provoca aumento do colesterol e da pressão arterial, indicadores de risco para o sistema circulatório. Em geral, os cardiologistas recomendam consumo reduzido de bovinos e suínos justamente por causa do aumento desses valores.

O médico Iran Castro, do Instituto Cardiológico do Rio Grande do Sul, conta que as diretrizes vêm da década de 1980, quando se descobriu que o LDL – o colesterol ruim – estava relacionado a doenças coronarianas.

“O colesterol está na gordura animal, então presumiram que a carne animal faria mal”, resume o cardiologista.

Ele conta, porém, que é uma tendência recente na medicina fazer estudos para comprovar se a carne sem gordura também traz efeitos maléficos. Foi essa pergunta que a equipe do hospital em que ele trabalha, em Porto Alegre, tentou responder com um teste clínico.

Foram recrutados 70 voluntários entre os próprios funcionários do hospital. Durante cinco semanas, eles comeram 125 gramas de carne por dia, mais do que eles normalmente ingeriam. O corte escolhido foi o contrafilé, com toda a gordura visível retirada.

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“Não houve alteração do perfil lipídico”, relata Castro. O que ele defende, portanto, é que a retirada da capa de gordura da carne seja suficiente para controlar o colesterol, sem precisar cortar a carne do cardápio.

Corte da carne
O argumento de Castro é endossado também por Neura Bragagnolo, professora de engenharia de alimentos da Universidade Estadual de Campinas (SP) (Unicamp). “Isso faz toda a diferença para os níveis de colesterol”, diz a especialista, que pesquisa há anos o colesterol nos alimentos.

Ela colaborou com um estudo de 2006 que encontrou grande diferença entre a quantidade de colesterol encontrada nas carnes brasileiras e os índices presentes nos manuais norte-americanos. A quantidade de gordura encontrada no Brasil foi 25% menor.

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Para os autores daquele artigo, publicado pela Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, os resultados “sugerem que é importante construir tabelas regionais de composição de alimentos”.

A principal diferença está no corte da carne. “As carnes americanas têm aquele mármore. As nossas não têm gordura interna”, compara Neura. “Tirar toda a gordura visível minimiza os efeitos”, completa a pesquisadora.

Os dois especialistas ressaltam, porém, que mesmo a carne magra deve ser consumida com moderação. Já as carnes com mais gordura embrenhada, como a costela e os embutidos, estão sim relacionados ao aumento do colesterol.

Fonte: G1.



 
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