Mudanças climáticas, desastres naturais
e prevenção de riscos

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Aeronaves para o futuro

Três projetos de pesquisa financiados pelo Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP, em parceria com a Embraer, poderão tornar as aeronaves fabricadas pela empresa brasileira mais confortáveis, silenciosas e seguras.

Os resultados parciais dos projetos foram apresentados durante o Workshop FAPESP-ABC sobre Pesquisa Colaborativa Universidade-Empresa, encerrado na terça-feira (8/11), em São Paulo. O programa PITE, iniciado em 1995, tem apoiado projetos de pesquisa desenvolvidos em cooperação entre centros de pesquisa de empresas e instituições acadêmicas e institutos de pesquisa, em regime de cofinanciamento entre a Fundação e as empresas.

O evento, promovido pela FAPESP e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), ocorreu paralelamente à Feira de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Centros de Pesquisa e Universidades (Inovatec), realizada pela Confederação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo.

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Jurandir Itizo Yanagihara, professor da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou durante o evento o projeto “Conforto de cabine: desenvolvimento e análise integrada de critérios de conforto”.

Segundo ele, o projeto – que envolve a USP, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – realiza diversos estudos voltados para incorporar às aeronaves tendências inovadoras de conforto no interior da cabine das aeronaves.

“A construção de uma aeronave tem requisitos de mercado, de estrutura, mas também de conforto. Dentro desse aspecto do conforto, estudamos parâmetros operacionais como o conforto térmico, a pressão, o ruído, a vibração, a iluminação e também a ergonomia dentro da cabine”, disse , Yanagihara.

Segundo ele, o projeto teve início em 2008 e sua primeira fase está sendo finalizada. O foco principal é integrar os vários aspectos do conforto humano e estabelecer critérios que serão utilizados como parâmetros de projeto e design. Os cientistas desenvolveram um ambiente que simula uma cabine, especialmente construído para que a integraçaõ seja possível.

“Esse equipamento é muito sofisticado e é o segundo a ser construído no mundo. Só existe outro semelhante no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. Ao fim do estudo, o objetivo é que não tenhamos apenas resultadas de cada tecnologia, mas uma análise integrada, medindo como cada critério afeta o resultado final de conforto. A primeira fase terminará no início de 2012, com um pacote de análise integrador”, explicou.

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Uma das tendências identificadas pelo projeto, segundo Yanagihara, é a criação de espaços individualizados nos aviões e, em grandes aeronaves, espaços alternativos para interação entre os passageiros.

“A tendência é fazer com que as pessoas tenham um espaço adequado para descansar ou trabalhar. A iluminação também é um dos critérios que nós trabalhamos, analisando o uso de leds para proporcionar modificações no ambiente”, declarou.

Nos estudos sobre o ambiente térmico, por exemplo, os pesquisadores conseguem simular temperaturas de 14 a 37 graus na cabine e nas paredes internas e variar a umidade relativa de 12 a 70%. Com isso, segundo o pesquisador, pode-se estudar o grau de desconforto para diferentes condições ambientais e tipos de atividade e assim obter a condição mais apropriada para as diferentes fases do voo.

“Há muitos outros estudos, que vão do microclima no assento, até o estudo dos efeitos de pressão de cabine – feitos com um modelo de cavidade timpânica – passando por aspectos psicofisiológicos, isto é, uma avaliação de como o passageiro percebe o conforto”, disse.

Materiais leves e baratos
Sergio Müller Frascino, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CTA) do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), apresentou o projeto “Estruturas Aeronáuticas de Materiais Compósitos”.

“O projeto tem o objetivo de desenvolver soluções para estruturas feitas com materiais compósitos para aplicação aeronáutica. Estimamos que esses materiais podem proporcionar uma redução de 10% a 15% do peso e de 10% do custo da aeronave, em comparação com os materiais convencionais”, disse Frascino.

O projeto faz a validação de novas tecnologias, processos, métodos e critérios de projeto, cálculo, manufatura e ensaios com materiais compósitos, a fim de comprovar seus benefícios e limitações.

“A programação do projeto inclui a implementação de um laboratório de última geração no Parque Tecnológico de São José dos Campos, a fim de gerar competência, nas universidades, nas áreas críticas de tecnologias de materiais compósitos.

As linhas de pesquisa envolvidas incluem anteprojeto, otimização, pós-flambagem, delaminação, efeitos térmicos, juntas e reparos, comportamento eletromagnético e processos de fabricação como infusão de resina, laminação automática, resinas termoplásticas e termorrígidas e inspeção por ultrassom.

Segundo ele, o projeto, por envolver tecnologia de ponta, é vital para a competitividade do setor aeronáutico brasileiro. “As tecnologias que desenvolvermos com esses materiais, por outro lado, serão aplicáveis a outros setores, como o espacial, o de petróleo, o automotivo e o de energia eólica”, afirmou.

O projeto envolve a Poli-USP, o Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), a Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do ITA e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) . “Acredito que projetos de real relevância para o Brasil precisam envolver muitas instituições”, disse Frascino.

Submetido em 2007, o projeto teve os recursos liberados apenas recentemente. “A parte que precisa de mais investimentos está no início, mas uma boa parte do projeto tinha baixa necessidade de recursos e já estava concluída. A partir de agora, vamos realinhar escopo do projeto, implementar um laboratório de estruturas leves e buscar novas áreas de aplicação para os materiais compósitos”, aifrmou.

Menos barulho
O projeto “Aeronave silenciosa: uma investigação em aeroacústica” foi apresentado por Júlio Romano Meneghini, da Poli-USP. Segundo ele, as discussões em torno do projeto tiveram início em 2005 e a primeira fase já foi encerrada.

“Houve aumento do voos em todo o mundo e a previsão é que até 2016 o número de aeroportos cresça 5%. As restrições legais contra ruídos estão cada vez mais rigorosas. Nesse contexto, é fundamental para a Embraer satisfazer as exigências internacionais, especialmente dos Estados Unidos e Europa, que são mercados centrais para a indústria aeronáutica”, disse Meneghini.

O objetivo principal do projeto, segundo o pesquisador, é propor métodos e equipamentos supressores de ruído. “Não se trata da geração de ruído na cabine, mas no entorno dos aeroportos. Uma pista de dois quilômetros gera um ruído que pode chegar a 20 ou 30 quilômetros do aeroporto. Precisamos de muita pesquisa para conciliar o aumento do número de voos e as restrições de ruído”, declarou.

Dois tipos de iniciativa são importantes para atenuar o problema, segundo Meneghini. Uma delas é localizar fonte de geração de ruído e fazer modificações geométricas na superfície aerodinâmica da aeronave. A outra, é replanejar o urbanismo e a gestão do território no entorno dos aeroportos.

“Nosso projeto foca em ser capaz de simular e medir ruídos da superfície aerodinâmica, jato e trem de pouso, principalmente. O foco está nesses aspectos porque a Embraer é totalmente responsável por eles. A indústria aeronáutica, ao contrário do que ocorre na automobilística, projeta seus componentes no Brasil e eventualmente os fabrica no exterior”, disse.

O projeto conta com financiamento de R$ 10,5 milhões e, segundo Meneghini, grande parte dos recursos foi usada para a aquisição de um supercomputador. Uma grande parte também é investida na vertente experimental dos estudos, como as medições de ruído realizada com grandes conjuntos de microfones na cabeceira de uma pista experimental, de cinco quilômetros de extensão, localizada em Gavião Peixoto, no interior paulista.

“Não é algo trivial fazer essas medições, porque não podemos nos limitar ao ruído global da aeronave. Precisamos saber, a dois quilômetros de distância, quando um ruído é proveniente da asa, dos flaps, da turbina ou do trem de pouso, por exemplo”, afirmou.

No final de sua primeira fase, o projeto já solicitou duas patentes relacionadas aos atenuadores de ruídos. Os estudos têm participação de cerca de 70 pesquisadores da Embraer, da USP, da UFSC, do ITA, da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

“Conseguimos cruzar a fronteira tênue entre estudos básicos e inovação. E alcançamos um objetivo importante: gerar um núcleo de excelência para cada especialidade em cada instituição de pesquisa. Hoje temos centros de excelência com reconhecimento internacional que não tínhamos no início do projeto”, afirmou.

Fonte:
Agência Fapesp.

Descoberta científica pode levar a tratamento contra melioidose

Cientistas descobriram uma toxina que inibe o crescimento da bactéria que causa a doença tropical, que infecta milhões por ano

Uma descoberta científica pode levar à produção de uma vacina contra a melioidose, doença tropical mortal que infecta milhões de pessoas no mundo, segundo estudo publicado publicado na revista científica Science.

Uma equipe internacional de cientistas mostrou como uma toxina produzida pela bactéria Burkholderia pseudomallei (conhecida como bacilo de Whitmore), destrói células humanas, impedindo a síntese de proteínas e inibindo o crescimento da bactéria causadora da melioidose, também conhecida como "bomba relógio do Vietnã".


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O estudo, chefiado pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para combater a bactéria causadora da doença, abundante no sudeste da Ásia e no norte da Austrália.

"Agora que sabemos da existência desta toxina, abrem-se as oportunidades para o desenvolvimento de novos remédios capazes de bloquear seus efeitos", afirmou o professor da Universidade de Sheffield, Stuart Wilson, membro da equipe de pesquisas.

Os cientistas querem agora pesquisar as possíveis aplicações da toxina bacteriana para combater outras doenças, como o câncer, onde poderia ser usada em tratamentos orientados a prevenir a proliferação de células cancerosas, destacou o estudo, que será publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.

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A melioidose é, ao lado do HIV e da tuberculose, é uma das três principais causas de morte por doenças infecciosas em algumas partes do sudeste asiático.

A doença pode ser difícil de diagnosticar e a taxa de mortalidade nas regiões onde a bactéria é encontrada pode chegar a 40%.

A bactéria causadora da melioidose prospera na água e nos solos quentes e úmidos e pode entrar no corpo por via pulmonar ou através de feridas abertas.

A doença pode permanecer latente no corpo, manifestando-se décadas depois da infecção. Ela foi bastante comum entre veteranos da Guerra do Vietnã.

Fonte: iG.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Unanimidade entre cientistas: Terra vai sofrer grande perda de espécies

O Tilacino, o Dodô, o Auk grande, o Pombo-passageiro, o Sapo-dourado: essas espécies se tornaram símbolo da extinção. Mas elas são apenas a ponta da recente crise de extinção, e segundo uma pesquisa com 583 cientistas de conservação, elas são apenas o começo. Em uma pesquisa do jornal Conservation Biology, 99,5% dos cientistas de conservação disseram que uma perda séria de biodiversidade era ‘provável’, ‘muito provável’, ou ‘praticamente certa’. A previsão de uma perda significativa de espécies não é surpreendente – cientistas avisam há décadas que se a sociedade global não fizer nada para mudar, o mundo sofrerá uma extinção em massa. O que talvez seja surpreendente é a expectativa unânime de que o declínio da biodiversidade global ocorrerá.

“Entender o grau de consenso entre a comunidade científica ajudará os formuladores de políticas a interpretar pareceres científicos, melhorando a probabilidade de sucesso das iniciativas de conservação”, afirmou o autor do estudo Murray Rudd, da Universidade de York. “O nível de consenso extremamente alto demonstrado por esses resultados enfatiza a urgência de prevenir mais danos ao mundo natural”.

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Além disso, cerca de 80% dos entrevistados concordou que era ‘praticamente certo’ que as atividades humanas estavam acelerando a perda de espécies. Desmatamento, perda de habitat, mudanças climáticas, poluição, superexploração de alimentos ou remédios, doenças, e espécies invasoras estão entre alguns dos grandes causadores do declínio de biodiversidade em todo o mundo.

Segundo a pesquisa, recifes de corais tropicais são os mais propensos a terem extinções. Cerca de 88% dos entrevistados familiarizados com os recifes de coral – os ecossistemas marinhos mais biodiversos da Terra – preveem que uma perda séria é ‘muito provável’ ou ‘praticamente certa’. Enquanto os recifes de corais estão sofrendo com a poluição e a sobrepesca, talvez o impacto mais drástico seja o aumento contínuo das emissões de gases do efeito estufa. A acidificação dos oceanos pelo aumento dos níveis de carbono prejudica a habilidade de um recife de coral de se calcificar, pondo em perigo o ecossistema. Além disso, o aumento das temperaturas e do nível do mar devido ao clima pode causar o branqueamento dos corais, o que já devastou sistemas de corais inteiros.

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Cerca de metade dos pesquisadores (50,3%) gostaria de ver critérios estabelecidos para a ‘triagem de conservação’. A triagem de conservação é uma ideia controversa em que as prioridades de conservação – como uma triagem em uma sala de emergência – seriam mais estritamente determinadas dados os fundos e recursos limitados. A ideia, no entanto, prediz que algumas espécies teriam que ser extintas sem esforços de conservação porque suas situações seriam consideradas muito ruins para ‘gastar’ recursos.

Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mais de 19 mil espécies estão atualmente classificadas como vulneráveis, ameaçadas, e criticamente ameaçadas. No entanto, até agora a Lista Vermelha só teve a capacidade de analisar cerca de 3% das espécies conhecidas no mundo. Ainda mais alarmante é que ninguém sabe quantas espécies habitam a Terra, e as estimativas variam de três milhões a 100 milhões (atualmente, quase dois milhões foram descritas).

Leia o original (inglês).

Fonte:
Envolverde.

Microalgas polivalentes

Além de serem fontes de biomoléculas para o desenvolvimento de novos produtos, com aplicações nas indústrias alimentícia, cosmética, farmacêutica e petroquímica, entre outras, as microalgas também podem ser utilizadas para o sequestro biológico de carbono da atmosfera.

Entretanto, justamente em função do aumento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, causado pelo aquecimento global, esses microrganismos têm diminuído nos oceanos nos últimos cem anos. Uma perda que contribui ainda mais para o aumento de CO2 na atmosfera e para a diminuição das cadeias alimentares oceânicas e dos recursos pesqueiros, apontam estudos internacionais.

Para utilizar esses microrganismos marinhos tanto para o sequestro biológico de CO2 atmosférico em larga escala como para produzir biomoléculas para diversos fins, como em energia e na agricultura, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de São Carlos, em parceria com a Braskem, estão cultivando células de microalgas em laboratório.

O projeto é financiado pela FAPESP e pela Braskem por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

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Iniciado em 1995, o PITE tem apoiado projetos de pesquisa desenvolvidos em cooperação entre centros de pesquisa de empresas e instituições acadêmicas e institutos de pesquisa, em regime de cofinanciamento entre a Fundação e as empresas.

Os resultados alcançados por alguns projetos apoiados foram apresentados durante o Workshop FAPESP-ABC sobre Pesquisa Colaborativa Universidade-Empresa. Promovido pela FAPESP e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) nos dias 7 e 8 de novembro, o evento ocorreu paralelamente à Feira de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Centros de Pesquisa e Universidades (Inovatec), realizada pela Confederação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo.

Por meio do projeto, iniciado há um ano, pesquisadores da UFSCar desenvolveram um fotobiorreator fechado contínuo de bancada, com capacidade de 200 litros de água, para cultivar células de microalga do gênero Chlorella vulgaris em casas de vegetação.

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Na próxima etapa, em 2012, os pesquisadores pretendem aumentar a capacidade do equipamento para mil litros de água. E, no fim do projeto, em 2013, atingir a capacidade de produção controlada de uma cultura de microalga em 3,5 mil litros de água, em ambientes naturais.

“O fotobiorreator com capacidade de 200 litros de água é um híbrido do sistema de produção de microalgas em tanques abertos e de um biorreator fechado, reunindo as boas características de cada um deles”, explicou Ana Teresa Lombardi, professora da UFSCar e coordenadora do projeto, na palestra que apresentou no evento.

Apesar de apresentar menor custo e maior facilidade de manutenção, em comparação com fotobiorreatores fechados, os tanques abertos têm alto risco de contaminação e inviabilizam a manipulação bioquímica da composição das microalgas – o fator que possibilita originar biomoléculas para a produção de diversos compósitos.

Por meio de diversos experimentos de controle de fisiologia das microalgas e técnicas de análise térmica, que devem ser realizados em um laboratório de biotecnologia de algas a ser construído na UFSCar, os pesquisadores pretendem desenvolver biomoléculas energéticas para produção de biocombustível.

Já o resíduo final de todo o processo de cultivo no fotobiorreator, como o meio de cultivo e as próprias microalgas, também será testado para uso em cultivo de hortaliças e para recuperação de vegetação nativa e de solos degradados de cerrado.

“O projeto tem caminhado muito bem. O primeiro objetivo, que era o de aumentar a produtividade das microalgas e controlar a composição bioquímica delas, já foi praticamente atingido”, disse Lombardi.

O próximo objetivo a ser atingido pelos pesquisadores será o de aprimorar a tecnologia de cultivo contínuo, aumentando o controle do estado fisiológico das microalgas.

Fonte: Agência Fapesp.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Emissões globais de gases de efeito estufa cresceram em 2010

As emissões globais de gases estufa cresceram 6% entre 2009 e 2010. É demais. Ainda mais, em um ano em que as economias desenvolvidas não estavam bombando. Cresceram nos principais países desenvolvidos e nas maiores economias emergentes.

Este crescimento mostra a insuficiência das políticas domésticas de controle de emissões e a ineficácia do Protocolo de Quioto, do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e do mercado de carbono para obter a redução das emissões. Indica também que as economias emergentes não podem ficar fora de qualquer regulação para governança climática global, ancorada em um acordo global vinculante sobre o clima. Fortalece a ideia de que o caminho mais efetivo para obter esse resultado é o encontrado pela Austrália: um imposto sobre o carbono, reforçado pode regulação mais efetiva. Uma vez adotados localmente o imposto e o arcabouço regulatório, seria o caso mesmo de consolidá-los em um sistema legal global.

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Está claro também que o EUA dificilmente conseguirá controlar suas emissões, enquanto não tiver uma política federal. A falta de uma regra federal cria muita desigualdade na federação, que ameaça a legitimidade das políticas estaduais. Estados como a Califórnia, que têm reduzido suas emissões, não têm compensação alguma pelo esforço e as emissões nacionais aumentam porque outros estados nada fazem para reduzir as suas.

A análise dos dados mostra que: 1. as emissões globais cresceram e cresceram em todas as regiões do mundo; 2. onde mais cresceram foi na região Ásia Pacífico, por causa da China, da Índia, da Coreia e do Japão; 3. na América Central e do Sul, segundo maior crescimento, quem puxou o aumento das emissões foram Brasil e Peru (no Peru, principalmente por causa do desmatamento; no Brasil todos os setores contribuíram); na América do Norte, EUA foi o maior responsável pelo crescimento das emissões, no México elas caíram e no Canadá cresceram praticamente metade do que cresceram no EUA; na Europa/Eurásia, o maior crescimento foi da Rússia, mas na Alemanha e no Reino Unido, elas aumentaram quase 4%.

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Veja os gráficos: eles mostram o crescimento global e por regiões; nos principais países desenvolvidos no e nos países do BASIC mais a Rússia, parte dos BRICs.




Fonte: Envolverde.

Música como ciência

Além de astrônomo, físico, matemático e filósofo, Galileu Galilei (1564-1642) também tinha formação em música, sobre a qual chegou a escrever em um de seus tratados teóricos. Porém, a concepção musical do cientista italiano era muito diferente da de seu pai, o músico prático e teórico Vincenzo Galilei (1533-1591).

Ao contrário do que Galileu e alguns teóricos musicais defendiam no século 16, Vincenzo demonstrou que a música não poderia ser embasada nas ideias pitagóricas abstratas vigentes na época de razões de números inteiros, mas sim no fenômeno físico sonoro.

Essa contribuição do pai de Galileu para a história da música e da ciência é relatada no livro Vincenzo Galilei contra o número sonoro, publicado em setembro com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

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Resultado do projeto de doutorado em história da ciência da pesquisadora Carla Bromberg, realizado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo com Bolsa da FAPESP, o livro aborda um período anterior à Revolução Científica sobre o qual, segundo a autora, há poucos estudos na história da ciência.

“O século 16 costuma ser anexado ao 17 na historiografia da ciência e suas características acabam sendo negligenciadas”, disse Bromberg à Agência FAPESP. “Esse período tem uma importância muito grande para a história da ciência porque nele foram escritos tratados teóricos sobre áreas chamadas de subalternas, como a música e a ótica, em que os autores demonstram um descontentamento com relação à natureza de suas ciências e propuseram discussões que levaram à reclassificação delas.”

Em alguns desses tratados teóricos, Vincenzo Galilei questiona os fundamentos matemáticos da música. Na época, a área não era classificada sobre uma base sonora, medida por meio de unidades de frequência, por exemplo, mas sobre uma base matemática, sendo entendida como um “número sonoro”.

“Embora existisse na época tanto a música teórica como a prática, a teórica seguia uma tradição platônico-pitagórica, que era defendida por Galileu e alguns teóricos musicais, cujo fundamento era aritmético”, explicou Bromberg.

Segundo ela, por meio de uma série de demonstrações, cálculos matemáticos e argumentos filosóficos, Vincenzo provou a ineficácia da base matemática para a música.

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Para isso, o músico, que tocava alaúde, realizou diversos estudos sobre o comportamento dos materiais e os instrumentos musicais da época. E, utilizando a filosofia de Aristóteles (384-322 a.C.) conseguiu estabelecer uma nova fundamentação para a música que, na época, era considerada como ciência.

“Esse fato é bastante interessante porque a história da ciência do século 17 diz que foi quando se rejeitou o método aristotélico é que se conseguiu desenvolver uma nova concepção moderna de ciência”, disse Bromberg.

“No caso de Vincenzo Galileu, no século 16, foi justamente se valendo da filosofia de Aristóteles que ele conseguiu descobrir conceitos e desenvolver uma teoria para tirar a música do pedestal da matemática e conduzi-la para o campo da acústica”, disse.

Contribuições musicais
De acordo com Bromberg, uma das principais características musicais do repertório do século 16 era a polifonia – composições musicais escritas para várias vozes independentes uma das outras, porém com o mesmo grau de importância.

Por meio de diversos tratados, Vincenzo Galileu começou a unificar esse sistema musical de múltiplas vozes independentes e a transformá-lo em um sistema mais parecido com o existente hoje, composto por escalas musicais diatônicas (que possuem um determinado tom em relação a uma nota musical principal).

Em função disso, pode-se dizer que o músico se antecipou à publicação em 1722 de “O cravo bem temperado”, por Johann Sebastian Bach (1685-1750). Na obra, o compositor alemão desenvolveu um conjunto de composições para o instrumento de teclado utilizando a escala diatônica como “tempero” para calcular intervalos entre notas musicais.

“Por causa dessa prática das escalas diatônicas, ele conseguiu calcular intervalos musicais, com razões matemáticas, que não eram adotados pelos teóricos da época dele. Ele mostra que a música tem na matemática apenas sua instrumentalização, mas que não pode ter sua definição e seus conceitos baseados nela”, disse Bromberg.

Não se sabe se Galileu, que provavelmente também tocava alaúde, aceitou a teoria musical do pai, cujo trabalho não foi bem recebido em sua época, sendo pela primeira vez reconhecido pelo filósofo natural Marin Mersenne (1588-1648) no século 17 e citado na “Primeira história da música italiana do século 18”, de Giovanni Battista Martini (1706-1784).

“Alguns historiadores da ciência começaram a tentar relacionar o trabalho musical entre pai e filho nas décadas de 1960 e 1970. Mas, provavelmente, Galileu não aproveitou os novos conceitos musicais que Vincenzo elaborou”, disse Bromberg.

Vincenzo Galilei contra o número sonoro
Autora: Carla Bromberg
Lançamento: 2011
Mais informações: livrariadafisica.com.br/detalhe_produto.aspx?id=102157.

Fonte: Agência Fapesp.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Descoberta em siris pode revolucionar estudos com o cérebro humano

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP) descobriram, ao longo de cinco anos de estudos, que o cérebro conta com uma importante maneira de codificar (representar, sob forma de pulsos elétricos) informações entre ele e todas as ações realizadas no corpo. Os estudos foram coordenados pelo professor Reynaldo Daniel Pinto e envolveram siris como cobaias. As informações são da Agência USP.

Os neurônios do siri funcionam por mecanismos muito similares aos de humanos. Os pulsos elétricos que representam o movimento motor do estômago do crustáceo, embora constantes, apresentaram uma peculiaridade: variações que, em princípio, foram consideradas, por diversos estudiosos, sem importância. Mas no IFSC, pesquisadores descobriram que um único neurônio fazia o papel de uma "central telefônica", enviando ao cérebro ações realizadas por outros órgãos do siri, em seu organismo.

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"Usamos um computador para simular o neurônio biológico do siri. Aquilo que os cientistas acreditavam ser insignificante, ao que chamaram de 'ruído', exerce papel fundamental no organismo em questão: além da função motora, ele codifica, simultaneamente, o que faz o outro neurônio ligado a ele", explica o pesquisador.

O crustáceo foi escolhido pela simplicidade de seu sistema nervoso e por possuir neurônios que funcionam de forma similar aos nossos. "Estudamos o gânglio estomatogástrico do siri, responsável por bombear a comida ao corpo, o equivalente ao nosso movimento peristáltico."

Oscilações mostradas em eletrocardiogramas são muito parecidas com aquelas que analisam os movimentos motores do estômago dos siris. Da mesma forma, a ação motora do gânglio estomatogástrico, tão rápidas quanto batidas do coração humano, acusam variações nos pulsos elétricos. Mas estas, até então, eram consideradas sem função. "Pensava-se que o cérebro do siri não tivesse conhecimento dessas variações, justamente por serem muito pequenas", conta Reynaldo.

"Central telefônica"
O grupo de professor passou a analisar mais cautelosamente tal circuito, chegando a interessantes conclusões. Observaram que um único neurônio fazia o papel de uma "central telefônica", enviando ao cérebro ações realizadas por outros órgãos do siri, em seu organismo. Ou seja, os "ruídos" descritos anteriormente, considerados, por muitos estudiosos, sem função, são, na realidade, de extrema importância.

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"Se qualquer informação chega ao cérebro, ela vem tanto do músculo quanto do neurônio intermediário, que, por sua vez, contém o comando dado pelo músculo e gera um ritmo periódico para o funcionamento do sistema", esclarece Reynaldo.

Sobre o neurônio intermediário foi feita outra interessante observação: o ele não só avisa o cérebro sobre o que está acontecendo, como também entra em detalhes. Avisa quando a ação foi realizada a seu autor, poupando o cérebro de um contato imediato com cada um dos órgãos. "Nosso grupo foi capaz de comprovar essa nova função do neurônio em siris e lagostas. Espera-se que esse resultado seja, também, encontrado em neurônios de outras espécies, incluindo a nossa", afirma.

E a gente com isso?

A maneira de entender como o cérebro controla as coisas pode ser totalmente alterada depois disso. "Imagine que você está andando e o cérebro sabe que você contraiu um músculo da coxa. Se contraiu demais ou de menos, ele precisa saber e sensores espalhados no músculo passam tal informação. Mas, essa informação não será passada diretamente. Algum neurônio é que fará esse intermédio e o cérebro, além do acesso a essa informação, tem conhecimento sobre o que o circuito de comando do músculo fez, o que pode ser considerado um ajuste 'mais fino' de nosso corpo", analisa o docente.

A principal importância desse novo mecanismo é a previsão mais eficiente sobre certas ocorrências dos organismos. A descoberta desse feedback nos traz uma nova visão sobre o organismo, comprovando a complexidade e, sobretudo, a inteligência dos seres vivos. "Não temos como afirmar, efetivamente, que o cérebro usa esse tipo de sistema de transmissão de informação, mas nada na biologia é por acaso", finaliza.

Fonte: Terra.



 
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