Mudanças climáticas, desastres naturais
e prevenção de riscos

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cientistas registram raios de alta energia que desafiam teoria atual

Pulsar emite raios gama com energia superior a 100 bilhões de elétrons-volt.
Fenômeno ocorre na Nebulosa do Caranguejo.


Uma descoberta publicada nesta semana pela revista Science desafia as atuais teorias da astrofísica. Com dados do telescópio Veritas, nos EUA, uma equipe internacional de pesquisadores detectou pulsos de raios gama com energia superior a 100 bilhões de elétrons-volt na Nebulosa do Caranguejo. Essa energia é um milhão de vezes maior do que um raio-X usado na medicina.

“É a primeira vez que raios gama de energia muito alta foram detectados num pulsar – uma estrela de nêutrons que gira rapidamente, que tem o tamanho de uma cidade e massa maior que a do Sol”, disse Frank Krennrich, da Universidade do Estado de Iowa, nos EUA, um dos autores do estudo.

Segundo ele, o conhecimento que a ciência tem hoje sobre os pulsares não explica uma emissão tão alta de energia. Nenhuma emulsão com mais de 25 bilhões de elétrons-volt tinha sido encontrada até hoje nessa nebulosa.

"Os resultados colocam novos obstáculos sobre o mecanismo de como a emulsão de raios gama é gerada", completou Nepomuk Otte, outro autor da pesquisa.

Fonte: G1.

domingo, 9 de outubro de 2011

Ciência: Toda a água da terra pode ter vindo do espaço, diz estudo

Uma boa proporção de água dos oceanos pode ter se originado dos cometas e asteroides, mais do que era estimado até agora, talvez até toda a água, segundo um grupo de cientistas que estudou um desses corpos celestes. Essa conclusão foi alcançada por uma equipe internacional de especialistas coordenado por Paul Hartogh, do Instituto Max-Planck para Estudos do Sistema Solar, da Alemanha, após detectar pela primeira vez em um cometa água com uma composição similar à dos oceanos terrestres.

Sua pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista britânica Nature, pôde ser realizada graças aos instrumentos do Observatório Espacial Herschel, da Agência Espacial Europeia. Os cientistas descobriram que a água dos oceanos terrestres tem a mesma composição que o gelo encontrado em um cometa identificado como 103P/Hartley 2, da família de Júpiter (corpos que orbitam o planeta gigante), cuja origem estaria na nuvem de Oort - fora do Sistema Solar.

Para chegar a esta conclusão, Hartogh e seus companheiros determinaram a proporção de deutério - também chamado de hidrogênio pesado - e hidrogênio comum (D/H) - na água do 103P/Hartley 2. Outros seis cometas, analisados nos últimos anos com o mesmo Instrumento Heterodino para Infravermelho Distante de Herschel (HIFI), deram valores muito diferentes do D/H existente em nossos oceanos, mas não diminui o entusiasmo dos cientistas, já que na época da formação do Sistema Solar os cometas do tipo de Hartley 2 seriam bem mais comuns.

As análises sobre a origem dos oceanos foram motivo de debate já que várias pesquisas apontavam que procedeu principalmente do impacto dos asteróides com a Terra. Hartogh explica que, no seu período de formação, a Terra era muito seca e por isso a água existente nesse momento evaporou no espaço.

Segundo os cientistas, a água deve ter surgido 8 milhões de anos depois da formação do planeta, por isso a possível origem da água foram os cometas e os asteróides. É possível estabelecer de onde procedeu a água analisando a composição isotópica, especialmente a proporção de deutério (D/H), assinalou o cientista.

Fonte: Portal Terra.

sábado, 8 de outubro de 2011

Ciência & Tecnologia: Do Sol para a rede elétrica

FEEC desenvolve microinversor para sistemas fotovoltaicos de energia solar

Chamam a atenção em telhados placas de sistemas de aquecimento solar de água para uso em residências, edifícios, clubes. Trata-se de um processo de tecnologia simples, já vulgarizado, que transfere a energia térmica da radiação solar para a água, que é depois armazenada em tanques termicamente isolados. Imagine-se agora a instalação nos telhados de placas solares que transformem energia solar em elétrica destinada à iluminação, ao acionamento de eletrodomésticos e a outros usos. Imagine-se a possibilidade de parte dessa energia elétrica, gerada localmente e não consumida, ser disponibilizada na rede elétrica para utilização pela concessionária local que paga pela energia recebida. Mais ainda: imagine-se que essa geração distribuída de energia, como é denominada, ocorra na maior parte das casas e edifícios públicos e privados de uma cidade. Isto é possível com os sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica que fazem a conversão da luz solar em eletricidade.

Embora esta possibilidade seja pouco conhecida no Brasil e relativamente circunscrita, sua ampliação e generalização caminham a passos firmes em países desenvolvidos. Especialistas estimam que as fontes de energia renováveis – solar, eólica, das marés entre outras – deverão compor cerca de 30% da matriz energética mundial.

Este quadro justifica linha de pesquisa desenvolvida no Laboratório de Eletrônica de Potência (Lepo), coordenado pelo professor Ernesto Ruppert Filho, do Departamento de Sistemas e Controles de Energia da Faculdade de Engenharia Elétrica (FEEC) da Unicamp. Nele, o engenheiro eletricista Jonas Rafael Gazoli realizou estudo que visa contribuir para a pesquisa e o desenvolvimento de microinversores monofásicos para sistemas fotovoltaicos de energia solar conectados à rede elétrica de baixa tensão.

Gazoli explica que os sistemas fotovoltaicos são constituídos fundamentalmente por placa solar fotovoltaica acoplada a um microinversor eletrônico. A função primordial dele é converter eletricidade de corrente contínua produzida pela placa em energia de corrente alternada a ser injetada na rede elétrica da moradia ou edifício.

Como uma placa solar produz cerca de 25 V em corrente contínua, a função do microinversor é compatibilizar essa energia com a tensão de 127 V ou 220 V da corrente alternada da rede elétrica. Essa tecnologia permite que qualquer pessoa possua uma placa solar com o inversor acoplado a ela. Para a produção de energia, basta instalar a placa no telhado da residência e o microinversor em um ponto da rede, como se fosse um eletrodoméstico. Se o consumo da residência for inferior à produção, o excesso pode ser exportado para a concessionária local. Um medidor bidirecional instalado em substituição ao usual permitirá registrar a energia fornecida e recebida ao longo do dia, de forma que o usuário pague apenas pela diferença.

Metas
Após a graduação na Unicamp, Gazoli fez estágio na Universidade de Pádua, Itália, onde iniciou sua pesquisa em energia fotovoltaica. Segundo o pesquisador, o grande interesse na tecnologia de inversores conectados é a retirada dos capacitores eletrolíticos, componentes responsáveis pelo armazenamento momentâneo de energia. Os equipamentos possuem vida útil curta, de sete anos em média, quando trabalham sob temperaturas altas (como 80 a 100 graus Celsius, por exemplo). Mas, como a vida útil esperada para um sistema fotovoltaico é da ordem de 25 anos, tempo de vida de uma placa, é desejável produzir inversores que não utilizem capacitores eletrolíticos, o que levou o pesquisador a estudos nessa direção.

O engenheiro diz que a pesquisa teve inicialmente o objetivo de diminuir a necessidade de capacitores eletrolíticos ou eventualmente até eliminá-los. Lembra que em projeto de pesquisa regular financiado pela Fapesp – que trata especificamente do tema e tem conclusão prevista dentro de dez meses – está sendo desenvolvido um microinversor com grande vida útil sem usar capacitor eletrolítico.


Outro objetivo do pesquisador foi o de estudar e desenvolver microinversores. No Brasil não existiam grupos trabalhando nessa área, em 2009, quando a pesquisa começou, o que o faz acreditar em pioneirismo do grupo coordenado pelo professor Ernesto Ruppert Filho. Embora ao final da dissertação ele alinhe conclusões técnicas, a banca que examinou o trabalho credita-lhe como consequência maior o mérito de alavancar a tecnologia de microinversores no País. “Hoje detemos no Brasil a tecnologia de microinversores ligados à rede, tanto de média como de baixa potência, embora esses equipamentos não sejam ainda fabricados aqui e precisem ser importados”, diz Gazoli.

A pesquisa foi coorientada por Marcelo Gradella Villalva, membro do grupo na Unicamp e professor da Unesp, no Campus Experimental de Sorocaba, que durante o doutorado desenvolveu, no mesmo laboratório, o primeiro conversor eletrônico de potência trifásico para conexão de painéis solares (matéria publicada na edição 453 do Jornal da Unicamp, em março de 2010). Para ele, futuramente a venda para a concessionária, por preço atraente, da energia produzida em excesso pelo consumidor pode incentivar o uso de energias limpas e contribuir para retardar investimentos públicos em geração elétrica, seguindo uma tendência mundial.

Ele acredita que a utilização conjunta de aquecedores solares de água e sistemas fotovoltaicos pode levar a casas e edifícios altamente sustentáveis em recursos energéticos. Lembra, também, que a ampliação da utilização desse tipo de sistema alavanca paralelamente o desenvolvimento da indústria eletrônica no setor fotovoltaico e à pulverização do investimento em produção de energia em decorrência da participação do consumidor no sistema de geração de eletricidade.

Perspectivas
O Brasil, segundo Gazoli, vive um momento muito bom para a instalação da energia fotovoltaica de conexão à rede elétrica. A Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica (Abinee) mantém um grupo setorial para discussões sobre energia fotovoltaica, constituído por cerca de 50 das maiores empresas do setor no país. Elas se reúnem mensalmente para definir metas e ações. Um dos principais resultados desse trabalho foi a criação de normas para o setor e reuniões com alguns ministérios, particularmente o de Minas e Energia. Em consequência, encontra-se em andamento um plano de ação que contempla estudos técnicos sobre tarifas, mercados e leilões relacionados à utilização da energia fotovoltaica no Brasil.

Trata-se, segundo autor da dissertação, de “um movimento muito forte que se desenvolve há cerca de um ano e que já trouxe muitas contribuições no plano nacional”. O Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações (Cobei) patrocina o estudo de normas técnicas de baixa tensão de conexão à rede, de cujas discussões participou como convidado o grupo coordenado pelo professor Ruppert. No ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fez uma consulta pública em que, além de apresentar os principais instrumentos regulatórios utilizados no Brasil e em outros países para incentivar a geração distribuída de pequeno porte, visou receber contribuições dos agentes interessados e sociedade em geral sobre as questões que o regulador deve enfrentar para reduzir as barreiras existentes para a entrada da energia fotovoltaica no país. Para ele, “neste cenário a pesquisa que começamos há três anos se encaixa perfeitamente”. Recentemente, uma nota técnica da Aneel propõe a abertura de audiência pública para o recebimento de contribuições visando reduzir barreiras que dificultam a instalação de geração distribuída de baixa potência e introduzir a tarifa direcional. A agência prepara também uma resolução para a viabilização de normatização que orientem interessados em investir no sistema.

O professor Ruppert tem a absoluta certeza de que a geração de energia fotovoltaica será implantada no Brasil, a exemplo do que ocorreu com a energia eólica. Enfatiza que o objetivo da sua linha de pesquisa não é chegar a um produto destinado à venda, mas desenvolver quadros qualificados de forma a atender às novas e crescentes demandas tecnológicas do Brasil.

Villalva lembra que o laboratório recebeu aportes da Fapesp para seis pesquisas sobre inversores conectados à rede através de bolsas de mestrado, pós-doutorado e projetos regulares. O grupo atualmente desenvolve conjuntamente com a CPFL, o Laboratório de Hidrogênio 2 do Instituto de Física (IFGW), a Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) e as empresas Hytron e Eudora Energia, de Campinas, uma pesquisa financiada pela Aneel que visa a construção no campus de uma usina de geração solar fotovoltaica e eólica, que será ligada à rede elétrica da Unicamp em caráter demonstrativo.

Publicação
Dissertação: “Microinversor monofásico para sistema sola fotovoltaico conectado à rede elétrica”
Autor: Jonas Rafael Gazoli
Orientador: Ernesto Ruppert Filho
Coorientador: Marcelo Gradella Villalva
Unidade: Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC)
Financiamento: Fapesp

Fonte: Jornal da Unicamp.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ciência: Ensino de Ciências melhora aprendizagem de alunos no Rio

A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro encara um desafio: melhorar os índices de aprendizagem de Ciências para 20 mil alunos de 130 escolas de Ensino Fundamental com avaliação abaixo dos padrões preconizados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na cidade.

Para isso, vem apostando numa parceria com o Instituto Ciência Hoje (ICH) e implantou na cidade o Projeto Ciência Hoje de Apoio à Educação das Crianças, que incorpora atividades científicas no dia a dia de professores alunos e pais.

Como resultado, o aproveitamento médio dos alunos dessas escolas vem se igualando ou superando os índices dos estudantes da rede municipal. "A média das turmas de 5º ano em Ciências se igualou à do restante da rede", revela a secretária de Educação, Cláudia Costin. "Algumas escolas se aprofundaram nas atividades, participam de mostras regionais e vêm superando a média da rede".

Metodologia
O Projeto está no segundo ano de implantação. Nele, os alunos recebem a Ciência Hoje das Crianças, única publicação científica para o público infanto-juvenil. Os professores, por sua vez, participam de uma formação e desenvolvem seu trabalho a partir dos interesses dos alunos e incorporam em suas aulas instrumentos, como estudo de campo, organização de informação no modelo científico e a realização de experimentos na classe, utilizando materiais simples. "Ensinando desta forma, a matéria ficou mais divertida e percebemos que os alunos, além de ficarem mais curiosos, passaram a gostar de Ciências", comenta Michele Madeira, professora da Escola Municipal José Pedro Varela.

O Projeto incorporou neste ano as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como instrumento pedagógico em sala de aula, por meio do portal "Casa de Curioso" (www.casadecurioso.com.br). O portal oferece tutoriais de como editar e divulgar em mídias um experimento científico, incluindo suporte dos formadores do ICH e uma área para os professores postarem as produções com seus alunos. O objetivo é fazer os professores registrarem seus experimentos em sala de aula e os converterem em mídias como vídeo, animação, ilustração e fotonovela.

"Queremos que o professor incorpore a prática experimental as suas aulas e ao mesmo tempo explore e incorpore as TICs ao elaborar o seu portfólio de projeto, substituindo o formato impresso em caderno, pasta ou papel", explica Maria del Carmem Chude, diretora pedagógica do Projeto.

Blog premiado
Em seis meses no ar, o portal conta com mais de 60 experimentos registrados e vários blogues criados por professores. Aline Lobo, do CIEP Barão de Itararé, nunca havia utilizado essas ferramentas e em pouco tempo passou a produzir vídeos de experimentos, postá-los e compartilhá-los por redes sociais. Criou um blogue, pelo qual divide todo o seu processo de ensino e aprendizagem pela web. Detalhe: foi eleito o segundo melhor blog de Educação pelo Prêmio Rioeduca, principal láurea educacional do município.

"É um prêmio muito importante para todos os professores que desejam incorporar essas tecnologias ao seu dia a dia na classe", avalia Aline, que reconhece: "No começo tive um pouco de dificuldade, mas o suporte on-line da formação me ajudou com as dúvidas e me estimulou a superá-las; hoje, termos como experimentos, vídeos, blogues e internet fazem parte da rotina na minha sala de aula", completa.

Beatriz, aluna do 5º ano do CIEP Padre Paulo Corrêa de Sá, aprova a iniciativa: "Fazer experiência científica é muito divertido; além disso, podemos ensinar as pessoas para que elas possam aprender e passar para outras". Fora da classe, os alunos, a partir deste novo enfoque, acabam estimulados a utilizar o conhecimento científico para identificar e solucionar problemas em sua comunidade.

No final deste processo, as crianças relatam o que aprenderam por meio de trabalhos científicos em mostras regionais. Alguns trabalhos são selecionados para uma mostra municipal aberta à comunidade. Em 2011, esta exposição será realizada no Riocentro, no dia 27 de outubro, das 10h às 14h.

Fonte: Jornal da Ciência.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ciência & Tecnologia: Nanopartículas à base de produtos amazônicos dão brilho aos cabelos

Processo se mostrou viável industrialmente e de simples aplicação nos testes

Estudo desenvolvido na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) pelo pesquisador Marcos Roberto Rossan dá uma contribuição à área de cosmética capilar ao adaptar um processo que emprega nanopartículas compostas por uma mistura balanceada de triglicerídios de castanha de murumuru e babaçu em um produto já existente no mercado – o Activeshine Amazon. O processo, que permite o uso de equipamentos convencionais, se mostrou de simples aplicação nos testes e viável industrialmente, bem como reprodutível: as partículas empregadas no estudo poderão ser usadas também em outros produtos. A ideia do pesquisador é buscar um cosmético inovador, sobretudo porque utiliza óleos, gorduras e ceras brasileiras de origem amazônica e incorpora as tecnologias de micro e nanopartículas para intensificação do brilho e tratamento dos fios do cabelo.

Como as matérias-primas já são comerciais, o produto deve ter um preço competitivo no mercado. “E terá um valor agregado porque possui uma tecnologia que permite gastar baixa energia”, destaca o pesquisador, que é químico e que no momento já cursa o doutorado na FEQ da Unicamp. Ele pretende desenvolver o novo produto com uma ajuda da nanotecnologia, criando ainda uma linha para encapsulação de corantes naturais, com o objetivo de atingir o mercado de tinturas igualmente.

No estudo foi proposto um método pouco utilizado hoje: o processo de nanoemulsificação com baixa energia (emulsões com distribuição estreita do tamanho de partículas em escala nanométrica: tipicamente 20-200 nm). Diferentemente das microemulsões, as nanoemulsões são apenas cineticamente estáveis e, portanto, não podem ser formadas de maneira espontânea. Envolvem um processo inédito no Brasil em que se mistura a fase aquosa e a fase oleosa sob agitação, com temperatura predeterminada e com tensoativo específico.

As micropartículas no trabalho foram produzidas em um secador comercial, do tipo spray dryer, o qual foi adaptado para trabalhar a baixas temperaturas (da ordem de 5ºC) para produzir as partículas através de congelamento (spray cooling). Nesse processo, alimenta-se a mistura de óleos, cera e aditivos vegetais fundidos à alta temperatura, a qual é transformada em pequenas gotículas de líquido (atomizadas), que são imediatamente resfriadas e coletadas na base do equipamento como um pó seco fino. Foram obtidas micropartículas esféricas com diâmetro entre 30 e 320 µm.

Um dos diferenciais das partículas que foram preparadas pelo autor é que elas são revestidas de forma a ter uma carga superficial positiva, proporcionando uma maior aderência aos fios. Como os cabelos têm uma carga contrária (carga negativa), o produto fica melhor fixado. “Essas partículas são revestidas para terem uma carga elétrica positiva. Logo, o positivo e o negativo se atraem, vislumbrando-se uma maior aderência na superfície do cabelo”, aponta Maria Helena Andrade Santana, docente da FEQ e orientadora da dissertação. O produto passa no momento por testes de eficácia.

Esse tipo de produto é inovador porque emprega óleo, gorduras e ceras brasileiras de origem amazônica. De acordo com Marcos Rossan, a proposta é fornecer ao cabelo alto brilho, um dos itens mais cobiçados pelo consumidor. Em geral, conta, o silicone satisfaz muito bem a este quesito, porém ele é de origem sintética. A intenção é oferecer um aditivo cosmético natural de fonte vegetal.

Com o efeito do produto comercializado, é possível verificar um menor acúmulo de resíduos do produto no cabelo, conhecido na área cosmética como efeito build up, decorrente de seguidas aplicações. Isso pode deixar o cabelo mais pesado, diminuir a flexibilidade e ficar menos natural, além de ficar impregnado nos fios, descreve a orientadora. “É que as pessoas dificilmente sabem a quantidade exata do produto que deve ser aplicado”, sinaliza o engenheiro. “Em termos de condicionador, essa quantidade é de 1% a 5% do volume da base do condicionador, ou seja, ‘uma pequena porção da palma da mão’.”

Apesar da água e do xampu conseguirem em parte retirar tais resíduos, conta Marcos Rossan, eles acabam removendo componentes naturais que necessitariam ser repostos. Os produtos à base de silicone, frisa ele, estão presentes nos condicionadores. Enquanto a finalidade do xampu é limpar, a do condicionador é repor o que foi perdido, esclarece. “A grande vantagem é que os óleos naturais não deixam este resíduo e devolvem o brilho e a maleabilidade ao cabelo”, expõe a professora.

A Chemyunion Quimica Ltda., que produz o Activeshine Amazon, destina grande parte de seus recursos para a área de Pesquisa e Desenvolvimento, na qual Marcos é coordenador e onde atua há cerca de 15 anos. Trabalhando ali, o químico relata que a empresa sentiu a necessidade de aumentar o valor agregado do produto, incorporando a nanotecnologia. Como a professora Maria Helena é uma das especialistas no assunto, diz Marcos Rossan (da parte da Chemyunion), ele a procurou visando firmar uma parceria com a Unicamp, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para desenvolver o seu projeto.

Produto
Marcos Rossan e sua orientadora procuraram pôr lentes de aumento na biodiversidade amazônica, por já existir na empresa o Activeshine Amazon. Procuraram potencializar o efeito das gorduras naturais selecionadas, que já é eficiente para brilho de cabelo, adicionando os efeitos da nanotecnologia, principalmente para aquele cabelo danificado, que já sofreu agressões químicas com tinturas, com uso de chapinha e descolorações.

Esse cabelo danificado, diz a professora, contém escamas capazes de produzir uma certa rugosidade na superfície do cabelo. Para que o brilho volte, essa superfície necessitaria estar completamente lisa, semelhante a uma superfície como a de um espelho, pelo qual a radiação incidiria, refletindo a sua luz. Havendo ondulações, o fio quebrado acaba dispersando a luz e ela acaba não voltando para os olhos com a mesma intensidade. “Assim, partículas de tamanhos nanométricos (1 nanômetro equivale a 10-9m) estão aptas a preencher as escamas do cabelo danificado, alisando a sua superfície. No mercado brasileiro, há poucos trabalhos de cosméticos dirigidos à nanotecnologia”, garante a orientadora.

O que o mestrando fez foi adaptar o produto Activeshine Amazon fazendo dele nanopartículas sólidas, incorporando também a cera de carnaúba e outros aditivos vegetais que podem proporcionar propriedades ideais ao cabelo. Trata-se dos efeitos antiestático (para tirar o arrepiado) e de dar maleabilidade. “Porém, para que essa composição de princípios ativos vegetais venha a se constituir um produto, o primeiro passo consistirá em produzir as partículas por um processo de fabricação economicamente viável e que possa ser usado na produção em grande escala”, assinala Marcos Rossan.

A pesquisa indicou que é preciso preparar partículas sólidas por um processo viável industrialmente. Após várias adaptações para obter essa nanopartícula, fazendo transposição da escala laboratorial para a escala industrial, isso foi conseguido. O resultado foi uma emulsificação que não depende de equipamento específico, sendo que, para a maioria dos processos em que se prepara essas partículas, utiliza-se um homogeneizador, um equipamento de alta pressão. É ele que propicia que as partículas grandes se tornem pequenas. “Marcos empregou um processo físico-químico que não depende de equipamentos, apenas de um tanque e agitação mecânica”, afirma a professora.

A pesquisa foi realizada no Laboratório de Desenvolvimento de Processos Biotecnológicos da FEQ. Por outro lado, as micropartículas foram obtidas por um processo de spray cooling que já permite a produção em larga escala. O estudo da preparação dessas partículas foi feito em equipamento da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), adaptado pelo professor Carlos Raimundo Ferreira Grosso.

O novo produto está em fase de testes de eficácia a fim de verificar melhora da penteabilidade, medidas de brilho e outros requisitos necessários para o cabelo. Falta avaliar outras propriedades comuns ao cabelo, porque, ahttp://www.blogger.com/img/blank.gifté se tornar um produto comercial, ele tem um longo caminho pela frente, reconhece Maria Helena. O Activeshine Amazon é um produto patenteado pela Chemyunion, empresa brasileira localizada na região de Sorocaba.

Publicação
Tese: Preparação e caracterização de micro e nanopartículas lipídicas sólidas para aplicação em cosméticos
Autor: Marcos Roberto Rossan
Orientadora: Maria Helena Andrade Santana
Unidade: Faculdade de Engenharia Química (FEQ)
Financiamento: Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)

Fonte: Jornal da Unicamp.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ciência & Tecnologia: Experimento de cientista brasileiro devolve a macacos sensação de tato


Os experimentos do neurocientista Miguel Nicolelis, mais uma vez, são destaque na mídia especializada mundial. O brasileiro teve estudo publicado na revista Nature, uma das mais respeitadas do segmento científico do mundo. No experimento de Nicolelis publicado pela revista, houve pela primeira vez na história uma ligação bidirecional entre cérebro e avatar que permitiu que macacos explorem textura de superfície sem haver o contato.

De acordo com declaralções de Miguel Nicolelis à mídia nacional e internacional, a ideia principal do estudo é criar um sexto sentido que possibilite aos pacientes a sensação do tato ao utilizar uma veste robótica. No caso específico, os cérebros de dois macacos foram treinados e aprenderam um novo código para reconhecer as texturas.

"O nosso experimento provou pela primeira vez que é possível criar uma interface cérebro-máquina-cérebro, possibilitando que criemos um exoesqueleto robótico para que pacientes paralisados possam receber feedbacks do mundo exterior e com isso recobrarem a sensação táctil através de sensores", disse Nicolelis ao Estadão.

O cientista acredita que, com o avanço nos estudos, será possível que pessoas com tetraplegia voltem a andar. Para a continuidade dos projeto, Nicolelis diz que trará para o Rio Grande do Norte os meios para completar os experimentos. "Lá (Campus do Cérebro) nós já temos um avatar realístico do corpo completo de um macaco, agora teremos que criar um modelo igual para o ser humano. Com ele poderemos e treinar os pacientes quadriplégicos a interagir com um avatar do corpo. Será como o 'Flight Simulator' (jogo de simulação e treino para pilotos de avião) do avatar que será usado depois pela pessoa", disse Nicolelis em entrevista ao Estadão.

Confira aqui o artigo publicado na Nature e abaixo o vídeo do experimento:



Fonte: Tribuna do Norte.

Projeto da UFU é escolhido para ajudar a construir a internet do futuro


Pesquisadores da Faculdade de Computação vão utilizar estrutura europeia

Um projeto inovador apresentado pela Faculdade de Computação (Facom) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foi, no último dia 13 de setembro, escolhido para fazer parte das pesquisas europeias que constroem soluções para a internet do futuro.

O projeto foi um dos dois selecionados entre as três melhores propostas apresentadas por pesquisadores de institutos de pesquisa e universidades da América Latina para contribuir com o MyFire (Future Internet Research and Experimentation) – uma rede multidisciplinar de cooperação entre países europeus e economias emergentes, como Brasil, Rússia, Índia e China visando projetar uma nova internet.

As equipes vencedoras irão, entre 24 e 28 de outubro, a Poznan, na Polônia, participar da “Future Internet Week” (“Semana da Internet do Futuro”), conhecer especialistas no assunto do mundo todo, possíveis parceiros, e fontes de financiamento da Comunidade Europeia.

Com a premiação, os pesquisadores da UFU vão poder utilizar a estrutura europeia de testes, como os “testbeds”, que são ambientes protegidos, construídos especialmente para pesquisas experimentais, fora do risco das redes abertas.

A Facom/UFU desenvolve, atualmente, seis projetos dentro do programa denominado Mondial Entities Horizontally Addressed by Requirements – MEHAR (Entidades Mundiais e Endereçadas Horizontalmente por Requisitos), que visa definir, desenvolver e implantar um novo paradigma de comunicação em redes. O programa envolve 28 pesquisadores entre professores, alunos da pós-graduação e da graduação e colaboradores do Grupo Algar.

Pedro Frosi, coordenador do MEHAR, lembra que, em 2004, quando começou, na Facom, os estudos de uma nova rede, era “loucura” falar em substituir a internet. De lá para cá, muita coisa mudou. “As novas aplicações nascem com demandas que a internet não responde”, observa o professor. Ele compara o intercâmbio que passará a ser feito entre a UFU e o Fire europeu com os do período em que a internet ainda engatinhava, na década de 70, quando os centros de pesquisas americanos começaram a se interligar.

O projeto que foi apresentado aos pesquisadores seniores da Europa prevê uma nova maneira de identificar as partes que se comunicam em uma rede, um novo padrão de endereçamento. “Essas partes podem ser um computador, um dispositivo ou uma aplicação em contato com outra, por exemplo. Dentro dessa nossa proposta, a gente consegue resolver algumas questões, como a mobilidade e questões relacionadas à segurança”, exemplifica o professor da Facom, Flávio de Oliveira, um dos participantes do grupo que apresentou o projeto no Euro-Brazil Workshop, durante o Futurecom, exposição e congresso que reuniram especialistas das Tecnologias de Informação e Comunicação, em São Paulo.

Fonte: Diretoria de Comunicação Social da UFU.



 
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